Isaac Del Toro

Del Toro vence no circuito de Montjuïc enquanto a fuga catalã dita o ritmo na Etapa 3

Del Toro vence no circuito de Montjuïc enquanto a fuga catalã dita o ritmo na Etapa 3

Isaac del Toro conquistou a terceira etapa com uma jogada ousada na descida final do circuito de Montjuïc, beneficiado pela generosidade calculada de Tadej Pogačar, que preferiu orquestrar a vitória do companheiro de equipe a somar mais um triunfo pessoal. O pelotão foi destruído pelas repetidas subidas ao icônico morro barcelonês, transformando o que era uma jornada de estradas amplas e rampas graduais em um autêntico dia de classificação geral. A fuga matinal de três corredores, enquanto isso, deu à Caja Rural o que talvez seja o maior resultado de suas corridas até aqui neste Tour.

A escapatória do dia foi formada cedo por Alex Molenaar (Caja Rural), Frank van den Broek (Picnic-PostNL) e Felix Engelhardt (Jayco), trio que administrou bem a vantagem, disputou o sprint intermediário e acumulou os pontos de montanha disponíveis ao longo do percurso. Molenaar, corredor local, saiu do dia com a camisa de bolinhas nos ombros - algo modesto em termos absolutos, mas que representa uma vitória real para uma equipe da dimensão da Caja Rural. Surpreende que nenhuma outra equipe tenha tentado infiltrar um corredor na fuga, dado o prêmio extra da camiseta amarela para quem chegasse na frente com margem suficiente. Neste Tour, onde batalhas táticas movimentam até os bastidores do futebol europeu - e vale lembrar que rumores de bastidor como o de que Camavinga pode ir para a Inter mostram como o mercado nunca dorme -, a passividade das equipes médias na neutralização foi quase tão reveladora quanto a própria corrida.

Del Toro viveu um susto com 60 km para percorrer quando sofreu uma falha mecânica e ficou parado à beira da estrada. O primeiro carro da UAE passou sem parar; o segundo também seguiu em frente antes de frear bruscamente e mandar um mecânico de volta ao encontro do mexicano. Segundo relatos, carros da Visma e da Ineos também ofereceram assistência - o que é vedado pelo regulamento, artigo 2.3.029 da UCI -, mas nenhum comissário interveio de forma consequente e Del Toro não foi penalizado. Perdeu cerca de dois minutos, mas recuperou o contato com o grupo principal com tempo de sobra. Sorte menos duradoura teve Paul Seixas, que furou mais tarde, pegou a bicicleta de um companheiro, depois parou novamente para pegar a sua própria ao receber a troca e chegou ao pelotão exatamente quando o grupo entrava no circuito final - obrigado a abrir caminho durante a primeira subida a Montjuïc, embora tenha gerido a situação com frieza.

McNulty lidera a destruição do pelotão em Montjuïc

No circuito de Montjuïc, Brandon McNulty executou um trabalho de gregário monumental, puxando o pelotão ao ritmo máximo por dois voltas consecutivas e expulsando dezenas de corredores. Na última passagem pela subida, não houve ataques - simplesmente porque restavam poucos corredores com pernas para tentar algo. Richard Carapaz e Mattias Skjelmose tentaram sair juntos na descida, mas Del Toro respondeu imediatamente, cortou a curva final com precisão cirúrgica e abriu vantagem antes que qualquer perseguição se organizasse. Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel estavam ocupados marcando Pogačar, e isso criou o espaço necessário para o mexicano construir uma liderança que se revelou intransponível. Pogačar ainda ziguezagueou propositalmente na estrada para dificultar a reação dos rivais - um gesto que diz muito sobre a confiança e o domínio que a UAE Team Emirates está exercendo sobre esta corrida.

O esloveno poderia ter vencido com facilidade; enquanto os outros corredores se lançavam num sprint total, ele deslizava pela pista como se fosse um treino. Parece que, neste momento da carreira, presentear uma vitória ao companheiro lhe gera satisfação quase maior do que conquistá-la. Ao final, 16 corredores chegaram em dez segundos; mais dez no espaço de um minuto; outros onze dentro de dois minutos. Em 38.º lugar, Mathias Vacek terminou a mais de cinco minutos - evidência do quanto Montjuïc fez estrago no pelotão.

Rota, clima e incêndios marcam contexto da etapa

Com 196 km e 3.850 metros de desnível acumulado, a etapa mereceu tecnicamente a classificação de montanha, embora seu caráter tenha sido definido por rampas largas e progressivas. A partir de Sant Feliu, o percurso sobe em direção à Creu del Serrà e ao Can Tollo antes de atacar a Collada de Toses - longa e regular na maior parte, mas com 7 a 10% de inclinação nos últimos cinco quilômetros pela estrada antiga. Da descida segue-se por La Molina, estância de esqui habitual da Volta à Catalunha de março, antes de cruzar para França e encarar o Col du Calvaire, que não correspondeu ao martírio que o nome sugere. A chegada em Les Angles exige uma curva fechada a 1,7 km da meta, de onde parte a subida final de aproximadamente 7% por uma série de curvas em gancho até à linha de chegada.

O contexto não foi apenas esportivo. Incêndios florestais ativos no departamento dos Pyrénées-Orientales, a cerca de 50 km do percurso, mobilizaram bombeiros e agentes de segurança que normalmente estariam a serviço da corrida. Sem risco direto para os ciclistas, a organização decidiu manter a etapa, mas suprimiu a caravana publicitária e proibiu a presença de espectadores nos últimos 40 km em território francês. Com 30°C e vento de sudeste a 30 km/h, as condições foram exigentes, mas dentro dos limites razoáveis - a Météo-France mantém alertas amarelos e laranja para a região, sem chegar ao nível vermelho que poderia impor restrições mais severas.

O que esperar da Etapa 4: fuga com camisa amarela em jogo

A largada está marcada para as 12h20 (CEST) com a chegada prevista para as 17h10. O perfil da etapa favorece novamente uma escapatória, e a lógica tática indica que UAE e Visma-LAB devem permitir que corredores sem ameaça na classificação geral sigam em frente - desde que os nomes que conseguirem sair não sejam perigosos o suficiente para abalar a hierarquia. Ben Healy (EF Education-EasyPost) é o nome mais citado para dias assim, ainda que sua forma recente gere dúvidas; o companheiro Alex Baudin está bem, e a equipe norte-americana parece construída exatamente para etapas de média montanha, com Georg Steinhauser e Michael Valgren também em linha. Luke Plapp (Jayco), residente em Andorra e conhecedor das estradas, está a mais de sete minutos na classificação e tem total liberdade para atacar. Maxim Van Gils, Mauro Schmid, Raul Garcia Pierna e Kévin Vauquelin completam a lista de candidatos com perfil adequado - e todos eles sabem que uma etapa do Tour e uma possível camisa amarela raramente batem na mesma porta duas vezes.